Lançado em 1985, o livro ‘O Conto da Aia’ da escritora canadense Margaret Atwood se tornou um dos clássicos do nosso tempo. A série ‘The Handmaid’s Tale’ de 2017, baseada na obra, também se tornou um sucesso e ganhou diversos prêmios, incluindo o Emmy de Melhor Série Dramática. Para quem ainda não está familiarizado com a história, o livro traz a distopia da República de Gilead, lugar antes conhecido como Estados Unidos.
O país norte-americano agora é um Estado teocrático totalitário fundamentalista cristão. As mulheres perderam os seus direitos e tem que se adequar à nova realidade. Quem nos conta essa história é a Offred, uma mulher que foi retirada de sua família e agora vive como uma Aia. Ela mora com um Comandante e a Esposa dele. Sua única serventia perante o governo e a sua nova é procriar. Graças a radiação e os efeitos da guerra, a maioria das mulheres não são mais capazes de ter filhos. A partir do ponto de vista da Offred, vamos conhecendo melhor esse mundo novo.
No segundo livro intitulado ‘Os Testamentos’, a narrativa dela dá lugar para outras três mulheres: uma Tia – mulher responsável por educar as outras mulheres –, uma filha de Comandante e uma adolescente que mora no Canadá, mas cresceu ouvindo os horrores de Gilead pela televisão. A princípio as três histórias não parecem ter ligação alguma, entretanto o que se desenrola a partir daí é capaz de tirar o fôlego.
Um fato curioso é que a continuação de O Conto da Aia foi escrita 35 anos depois do primeiro livro. Muitos fãs admitiram a possibilidade de a nova obra não ser tão boa como a primeira. Mas, depois de mais de três décadas, Margaret Atwood conseguiu não só atingir a nossa expectativa como superá-la. As perguntas que ficaram com o final de O Conto da Aia foram respondidas. Mas o leitor não deve se sentir totalmente satisfeito ao terminar a leitura Os Testamentos. Os três pontos de vistas são essenciais para nós enxergarmos de forma ampla a República de Gilead. Novamente a autora consegue nos deixar sem ar.
Devo alertar que as crueldades desse regime podem ser gatilhos emocionais para pessoas sensíveis a violência sexual. Eu mesma tive que deixar o livro de lado algumas vezes e dar uma respirada. Ainda assim, digo que a leitura é extremamente necessária, principalmente nos dias de hoje. O mundo imaginado por Margaret pode ser mais real e vital do que parece à primeira vista.

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